ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA

14/02/2011 at 16:10 (TEH II)

ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA

Princípios e Conceituações

 

“Se eu deixar de interferir nas pessoas,

elas se encarregam de si mesmas.

Se eu deixar de comandar as pessoas,

elas se comportam por si mesmas.

Se eu deixar de pregar as pessoas,

elas se aperfeiçoam por si mesmas.

Se eu deixar de me impor as pessoas,

elas se tornam elas mesmas”

LAO-TSÉ (Citação de Carl Rogers resumindo o princípio da Abordagem Centrada na Pessoa)

 

História Pessoal de Rogers

  • Nasceu no dia 08 de janeiro de 1902, em Oak Park – Illinois (subúrbio de Chicago);
  • Era o quarto de seis filhos;
  • Numa família cuja religião era rigorosamente fundamentalista (ler texto do livro sobre isso);
  • Os anos de meninice foram vividos em isolamento, tinha pouca vida social fora da família. Se descrevia tímido, solitário, sonhador e muitas vezes perdido em fantasias (ler texto do livro sobre isso);
  • Aos 12 anos, a família mudou para uma fazenda a 50 Km de Chicago, e a vida rural despertou seu interesse pela ciência. Começou a fazer faculdade de agricultura (Wisconsin), abandonando em seu segundo ano na universidade e optando pelo ministério religioso;
  • No ano seguinte a mudança de objetivo (agricultura para ministério) realizou uma viagem religiosa para China que, por sua vez, tornou suas atividades religiosas fundamentalistas mais liberais, proporcionando-lhe a primeira oportunidade de independência psicológica;
  • Em 1924, Rogers formou-se pela Universidade de Wisconsin, casou-se com uma amiga de infância e se matriculou no Seminário;
  • Começou estudos de graduação em Teologia no Union Theological Seminary, após dois anos, ainda pretendendo tornar-se partor, transferiu-se para o Teachers College, na Universidade de Colúmbia para estudar psicologia clínica e educacional;
  • Recebeu seu Ph.D. em 1931 e se uniu ao departamento de estudo da criança em Rochester, Nova York;
  • Em 1940 mudou-se da clínica para a vida acadêmica, passando a professor de psicologia na Ohio State University;
  • Passou de 1945 a 1957 na Universidade de Chicago, lecionando;
  • Em 1957 foi para a Universidade de Wisconsin em Madison com uma indicação para psiquiatria e psicologia, lecionando de 1957 a 1963, publicando diversos artigos e livros neste período;
  • Portanto, lecionou na Universidade de Rochester e em Ohio, Chicago e Wisconsin;
  • Mudou-se em 1963 para a Califórnia, onde foi membro do Centro de Estudos da Pessoa;
  • Morreu em La Jolla, em 1987;
  • Entre suas obras, estão Tornar-se Pessoa, Grupos de Encontro, Sobre o Poder Pessoal;

 

“Centrada na Pessoa”

  • Segundo Holanda (1998), o termo “centrado na pessoa”, inclusive, para ser mais preciso, surgiu por volta de 1976, mas só se formalizou realmente a partir de 1977, com a publicação do livro de Rogers sobre o Poder Pessoal, onde ele amplia a filosofia da terapia centrada no cliente para outras áreas, tais como administração, supervisão e educação.
  • Os psicoterapeutas ousem   voltar  ao máximo possível a sua atenção para as potencialidades inerentes a cada pessoa. Sua proposta é que os psicólogos se concentrem mais  no crescimento e no desenvolvimento da pessoa, deixando seus clientes mais livres para se auto conduzirem. A proposta rogeriana sugere aos terapeutas que eles procurem, simplesmente através das suas atitudes,  ajudar seus clientes a conseguirem viver melhor, terem melhores condições para lidar com os embates da vida e que promovam novas formas de relacionamento humano para que as pessoas que, porventura, eles venham  a atender, possam adquirir mais confiança em si mesmas.

 

O que é a Abordagem Centrada na Pessoa – ACP?

  • —A  Abordagem Centrada na Pessoa é uma abordagem psicológica criada pelo psicólogo norte-americano Carl Rogers a partir de suas próprias experiências pessoais e profissionais indo além da psicoterapia, podendo ser utilizada em  várias outras áreas de ajuda.
  • Desde que Carl Rogers percebeu, em 1940, que estava criando uma proposta nova e original para a abordagem das relações humanas, muito se tem escrito, em diversos continentes, sobre o que é a ACP. Primeiro, a fala do principal fundador da ACP, Carl Rogers, em seu livro Um Jeito de Ser:
  • O que entendo por Abordagem Centrada na Pessoa?
  • Este é o tema principal de toda a minha vida profissional, que foi adquirindo contornos mais claros a partir da experiência, da interação com outras pessoas e da pesquisa. Sorrio quando penso nos diversos rótulos que dei a esse tema no decorrer de minha carreira – Aconselhamento Não-Diretivo, Terapia Centrada no Cliente, Ensino Centrado no Aluno, Liderança Centrada no Grupo. Como os campos de aplicação cresceram em número e variedade, o rótulo “Abordagem Centrada na Pessoa” parece ser o mais adequado. 
  • A hipótese central dessa abordagem pode ser colocada em poucas palavras… Os indivíduos possuem dentro de si vastos recursos para auto-compreensão e para modificação de seus autoconceitos, de suas atitudes e de seu comportamento autônomo. Estes recursos podem ser ativados se houver um clima, passível de definição, de atitudes psicológicas facilitadoras. (p. 38)
  • Defendo a hipótese de que existe uma tendência direcional formativa no universo, que pode ser rastreada e observada nos espaço estelar, nos cristais, nos micro organismos, na vida orgânica mais complexa e nos seres humanos. Trata-se de uma tendência evolutiva para uma maior ordem, uma maior complexidade, uma maior inter-relação. É muito provável que essa hipótese seja um ponto de partida para uma teoria da Psicologia Humanista. Mas ela é, sem dúvida, o fundamento da Abordagem Centrada na Pessoa. (p. 50)

 

ACP…

  • A originalidade desse enfoque reside na descaracterização do psicoterapeuta como expert, como detentor do saber, como superior, bem como prioriza mais os aspectos afetivos da situação do que os intelectuais, enfatizando a relação terapêutica como promotora de crescimento.
  • É o cliente que dirige seu processo de autoconhecimento, de mudança e o/a psicoterapeuta ajuda o/a cliente a se ajudar, a encontrar suas próprias respostas e, ambos, se tornam mais humanos. É esta atitude que justifica chamar de cliente e não paciente a pessoa que busca a psicoterapia realizada em consonância com a Abordagem Centrada na Pessoa.
  • É uma abordagem que se diferencia das outras, sobretudo por não haver técnica. Para a abordagem a melhor maneira de se ajudar alguém é acreditar na pessoa e em sua possibilidade de pensar, sentir, buscar e direcionar sua própria necessidade de mudança. É a partir daí, dessa crença na pessoa, da sua capacidade em se auto dirigir, que a A.C.P. busca tentar facilitar à pessoa condições ideais, para que esta tenha maior oportunidade de entrar em contato consigo mesma.
  • Assim, a ACP faz referência a uma forma específica de entrar em relação com outro, estando implícito um modo positivo de conceituar a pessoa humana que apresenta uma concepção de homem alicerçada nos princípios da corrente humanista e uma abordagem fenomenológica que privilegia a experiência subjetiva da pessoa.


 

 

 

 

 

O cliente tem a chave de sua recuperação…

 

 

 

 

 

 

 

 

…mas o terapeuta deve ter determinadas qualidades pessoais que ajudam o cliente a aprender como usar tais chaves.

 

 

 

 

Para isso o papel do psicoterapeuta (educador, etc…) é o de facilitar através de alguns pressupostos básicos no intuito de colaborar para que a pessoa possa buscar em si própria a sua direção.


 

 

 

Ser aquilo que se é, é o que a Abordagem Centrada na Pessoa procura ajudar  o outro a ser, pois  aceitando-se a pessoa  cria em si condições  para repensar e caminhar em direção ao seu crescimento.

 

 

 

Abrindo a porta!
Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto.
Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os
a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto
e uma imensa porta de ferro do outro, a qual haviam gravadas figuras de caveiras.

Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:

– vocês podem escolher morrer flechados por meus
arqueiros, ou passarem por aquela porta e por mim lá
serem trancados.
Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos
pelos arqueiros.

Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo
servira o rei, disse-lhe:
Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?

– Diga, soldado.
– O que havia por trás da assustadora porta?
– Vá e veja.
O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que a
medida que o faz,
raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, ate
que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo a liberdade.
O soldado admirado apenas olha seu rei que diz:
Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar
abrir esta porta.

Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar?
Quantas vezes perdemos a liberdade, apenas por sentirmos
medo de abrir a porta de nossos sonhos?

 

Para que esta ajuda seja possível, existe uma crença em alguns pressupostos básicos para facilitar a relação.

Poder da PESSOA:

Tendência de atualização (ou de realização)

Crescimento pessoal

Auto-dirigida

Relação Terapêutica:

Relação de ajuda

Empatia

Congruência

Aceitação Incondicional Positiva

 

Desenvolvimento humano e personalidade

  • O desenvolvimento explica-se a partir de uma única necessidade ou motivo humano básico, que é a fonte de toda a energia – a tendência inata do organismo para desenvolver todas as suas potencialidades. Esta tendência é uma função do organismo como um todo. A personalidade faz parte desse todo, enquanto uma estrutura interna, que se desenvolve a partir da experiência. É a personalidade que possui essa pré-disposição à auto-realização. Por isso, diz-se que o desenvolvimento é auto-dirigido.

 

Noção de “Eu”

  • A noção de ‘eu’ é um conceito importante para se compreender o desenvolvimento do homem como pessoa. Refere-se a maneira pela qual a pessoa se percebe, atuando no meio. Essa imagem se desenvolve quando a pessoa se relaciona com outras pessoas – é como uma auto-imagem. Características funcionais da noção de ‘eu’:
  • O ‘eu’ é o mediador entre as emoções e a consciência;
  • O ‘eu’ busca ajustar-se ao meio da melhor maneira possível;
  • O ‘eu’ busca um equilíbrio pessoal global;
  • Só se agregam ao ‘eu’ as experiências boas e positivas;
  • O ‘eu’ sofre mudanças constantes, quando a pessoa vivencia novas aprendizagens e experiências,  favorecendo sua maturidade psíquica.

 

Auto-valoração

  • É o processo de se auto-conhecer, de desenvolver a noção de ‘eu’, de se perceber a si mesmo. É o desenvolvimento dos valores pessoais, a partir de experiências igualmente pessoais.

 

Conhecimento é auto-descoberto

  • Da mesma forma que o desenvolvimento é auto-dirigido, o conhecimento é auto-descoberto. Por isso, o professor exerce a função de um integrador de conhecimentos. Assim, pode afirmar que a aprendizagem compensadora é aquela que ocorre em grupo – via discussões.

 

Motivação e aprendizagem significativa

  • A motivação é a força que impulsiona na direção da auto-realização, envolvendo a complexa interação das capacidades de uma pessoa (aluno). A aprendizagem significativa, proporcionada pela motivação, favorece a conscientização de variadas experiências e conhecimentos, muito mais resistentes ao tempo.

 

Tendência de Atualização

  • A tendência atualizante nada mais é do que a crença de que se o outro tiver condições  favoráveis, ele se direcionará de modo a suprir as suas necessidades e terá seus sentimentos muito mais claros em si. A partir daí, poderá aceitar e respeitá-los como legítimos e em conseqüência respeitar também o outro em sua individualidade.
  • Crendo na tendência atualizante, que mesmo tornando-se diferente, o outro tem o direito de ser o que é, a Abordagem Centrada na Pessoa entende que a melhor maneira de ajudá-lo é proporcionar condições ideais para essa transformação.
  • Há no homem uma tendência natural para o desenvolvimento completo.

 

Empatia

  • Em primeiro lugar é imprescindível que tanto o facilitador quanto o cliente sintam-se  bem e verdadeiramente disponíveis nessa relação.
  • Depois, o facilitador deverá ser capaz de se colocar no lugar do outro sempre, tendo desta forma, provavelmente maior disponibilidade interna em entender o outro, seus motivos, seus medos e sentimentos e conseqüentemente mais condições de não julgar ou direcionar a relação de ajuda.

 

Congruência

  • Significa autenticidade por parte do facilitador quanto aos seus sentimentos em relação a pessoa que está sendo ajudada.
  • Tudo que o facilitador sente em relação a pessoa deve ser dito, com cuidado, carinho, respeito, mais principalmente com autenticidade.
  • É direito da pessoa ajudada saber o que  o facilitador sente a respeito do que ela está dizendo.
  • É importante que o facilitador diga o que sente, não como verdade absoluta.

 

Aceitação Incondicional Positiva

  • É a capacidade do facilitador em aceitar o outro sempre de maneira positiva, sempre entendendo que o outro a sua maneira está no fundo procurando se sentir bem e se encontrar.
  • Em um ambiente onde a pessoa sinta-se verdadeiramente aceita e acolhida, ela tende a ser ela mesma e a entrar em contato consigo própria para buscar o  seu crescimento pessoal.

 

Portanto, podemos resumir os principais conceitos desta teoria, da seguinte forma:

O Campo da Experiência

Self

Self Ideal

Congruência e Incongruência

Tendência à Auto-Atualização

 

O Campo da Experiência

  • Há um campo de experiência único para cada indivíduo.
  • Inclui eventos, percepções, sensações e impactos dos quais a pessoa não toma consciência, mas poderia tomar se focalizasse a atenção nesses estímulos. Trata-se do ambiente ou situação em que atuamos diariamente, fornecendo um quadro de referência ou contexto que influencia nosso crescimento.
  • É um mundo privativo e pessoal que pode não corresponder à realidade objetiva. Trata-se de uma percepção interna da realidade (subjetiva).

 

Self

  • Está dentro do campo de experiência.
  • Não é uma entidade estável e imutável.
  • Rogers usa o termo para se referir ao contínuo processo de reconhecimento.
  • É o autoconceito, a visão que uma pessoa tem de si própria, baseadas em experiências passadas, estimulações presentes e expectativas futuras.
  • Sendo esta diferença na ênfase na mudança e flexibilidade que fundamenta sua teoria de que as pessoas são capazes de crescimento e mudança.

 

Self Ideal

  • “É o conjunto de características que o individuo mais gostaria de poder reclamar como descritivas de si mesmo”. (Rogers, 1959, 165).
  • A imagem de self ideal na medida em que diferencia de modo claro o comportamento da pessoa de seus valores reais é um obstáculo ao crescimento.
  • Aceitar-se como se é e não como se quer ser, é um sinal de saúde mental.

 

Congruência

  • Congruência é definida como o grau de exatidão entre a experiência da comunicação e a tomada de consciência.
  • Relaciona-se às discrepâncias entre experienciar e tomar consciência.
  • Um alto grau de congruência significa que a comunicação (o que você está expressando), a experiência (o que está ocorrendo em seu campo) e a tomada de consciência (o que você está percebendo) são todas semelhantes. Ou seja, o que você observa de si mesmo é igual às observações de outras pessoas.  (ler no livro)

 

Incongruência

  • Ocorre quando há diferenças entre a tomada de consciência, a experiência e a comunicação desta.
  • A pessoa tem sinais visíveis de raiva, mas diz não estar com raiva.
  • A pessoa não simplesmente não tem consciência do que está fazendo.
  • Aqui as psicoterapias auxiliam as pessoas a tornarem mais conscientes de suas ações, pensamentos e ações na medida em que estes as afetam e aos outros.

 

Tendência à auto-atualização

  • Leva a pessoa em direção a uma maior congruência e a um funcionamento realista.
  • Impulso em direção a sermos competentes e capazes quanto ao que estamos aptos a ser biologicamente.
  • Força motivadora, impulso à saúde.

 

Aplicabilidade

  • A partir dos princípios da Abordagem Centrada na Pessoa, existem diversos campos de atuação…
  • Em psicoterapia:
  • individual
  • grupo (incluindo grupos de encontro)
  • casal
  • familiar
  • ludoterapia
  • breve
  • plantão psicológico
  • aconselhamento psicológico

 

Para eficácia da relação terapêutica é necessário que estejam presentes seis condições fundamentais:

  • Primeira Condição –  O Psicólogo parta do princípio que o cliente é basicamente responsável por si próprio, e desejar que o cliente mantenha essa responsabilidade.
  • Segunda Condição – O psicólogo agir sob o princípio de que o cliente tem uma forte tendência a tornar-se maduro, socialmente ajustado, independente, produtivo e confiar nessa força e não em seus próprios poderes, para realizar mudanças terapêuticas.
  • Terceira Condição – O Psicólogo criar uma atmosfera calorosa e permissiva, na qual o cliente esteja livre para trazer qualquer atitude ou sentimento que possa ter, não importando quão absurdo, não convencionais ou contraditórios sejam. O cliente é tão livre para resguardar sua expressão quanto para expressar seus sentimentos.
  • Quarta Condição – Os limites estabelecidos forem simplesmente limites quanto ao comportamento e não limites quanto às atitudes. (pode não ser permitido à criança quebrar a janela, mas ela é livre para sentir vontade de quebrar a janela e esse sentimento é plenamente aceito).
  • Quinta Condição – O terapeuta usar na terapia somente aqueles procedimentos e técnicas que transmitam seu profundo entendimento das atitudes expressas, carregadas de emoção, e sua aceitação delas. A aceitação do psicólogo não envolve aprovação, tampouco desaprovação.
  • Sexta Condição – O Psicólogo abster de qualquer expressão ou ação que seja contrária aos princípios anteriores. Isto significa evitar perguntar, sondar, culpar, interpretar, aconselhar, sugerir, persuadir, reassegurar.

 

ACP no Brasil

  • A proposta de psicoterapia, mais especificamente, a “rogeriana” surgiu, no final da década de 1960, em várias capitais brasileiras. Contudo, segundo Tassinari & Portela(1996), o surgimento mesmo das idéias de Carl Rogers se deu primeiramente no Rio de Janeiro através do trabalho de Mariana Alvim, provavelmente a primeira pessoa que estudou e apresentou as noções de Rogers para os psicólogos e educadores brasileiros.
  • Mariana Alvim conheceu “Rogers em 1945, em Chicago, quando foi estudar as ‘boas’ instituições nos EUA, que trabalhavam com delinqüentes desvalidos. Aprendeu o que na época denominava-se ‘entrevista não-diretiva’” (TASSINARI & PORTELA, 1996:21).

 

Em entrevista concedida a Tassinari e Portela:

  • —“Mariana nos relata que sentiu-se bem recebida pela maneira afetuosa e interessada expressada por Rogers, que já naquele ano mostrou interesse em vir ao Brasil. Em 1947, Mariana foi chamada para organizar o ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional)/RJ, quando passou a usar efetivamente a ‘técnica não-diretiva’. Ela também foi parcialmente responsável pela inserção de Maria Constança Villas Bowen na Abordagem. Mariana teve oportunidade de participar de vários workshops nos EUA e no Brasil, tendo mantido contato estreito com Rogers e partilhado de suas idéias de maneira viva, aplicando-as em seu trabalho, sem, contudo, ter criado um grupo específico de disseminação” (TASSINARI & PORTELA, 1996:22).

 

ACP em Belo Horizonte

  • As idéias de Carl Rogers começaram a ser discutidas na primeira turma do primeiro curso de graduação em Psicologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que teve seu início em 1963.

“Antonio Quinam relata sobre a constituição do primeiro grupo de estudos da Abordagem Centrada na Pessoa em 1970, que posteriormente se constituiu em sociedade civil designada CENEP – Centro de Estudos de Psicoterapia, dissolvido em 1978, ainda que alguns de seus integrantes continuem até hoje, como um grupo de estudos. Temos notícias do Primeiro Grupo de Formação de Psicoterapeutas, coordenado por Antônio Luiz Costa, no final da década de 60, período que ocorreu grande divulgação da Abordagem, inclusive no meio acadêmico. O grupo mineiro foi, de certa forma, influenciado por Pierre Weil, Max Pagés, Maria Bowen, Maureen Miller (…)” (TASSINARI & PORTELA 1996:08).

 

ACP no Recife

  • Também na década de 60, as faculdades de Psicologia dessa capital passaram a oferecer disciplinas obrigatórias na graduação, relacionadas às idéias de Rogers; a partir daí, vários cursos de formação de psicoterapeutas acabaram sendo realizados, “todos por iniciativa de Lúcio Campos, Maria Auxiliadora Moura e Maria Ayres”. O resultado da dedicação desses profissionais acabou proporcionando um núcleo considerável de pessoas interessadas pela psicologia rogeriana em diversas cidades do Nordeste.
  • Segundo Tassinari e Portela (1996:22),
  • “Realizamos várias entrevistas no Nordeste, onde evidenciou-se [principalmente] a forte influência do Lúcio Campos como psicoterapeuta, professor e supervisor de várias gerações de psicólogos desde a década de 60, quando fundou o Instituto de Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco. A formação de Campos foi feita nos Estados Unidos, onde tornou-se psicólogo, aprofundando seus estudos na ‘Terapia Rogeriana’(…). Sua influência foi tão fortemente sentida que muitos nordestinos atribuem-lhe o declínio dos estudos teóricos e práticas, na década de 70, após seu afastamento das instituições universitárias”.

 

ACP em Porto Alegre

  • Também no final dos anos 60, a proposta de psicologia rogeriana encontra boa acolhida tanto no espaço universitário quanto em grupos de estudos. Segundo Ir. Henrique Justo, um dos principais representantes da proposta rogeriana no Rio Grande do Sul, o primeiro contato que ele, particularmente, teve com as idéias de Carl Rogers, foi em 1955/1956, através do livro de um psicólogo italiano que estagiou com Rogers nos EUA.
  • “Era professor da PUC/RS, e aos poucos fui me tornando ‘rogeriano’.  Institucionalmente, eu comecei a trabalhar com essa proposta de psicologia, após uma temporada de estudos em Paris, com seguidores de Rogers, sobretudo com André Peretti. Quando voltei, em 1968, comecei a apresentar as idéias de Rogers inicialmente nos cursos da PUC de Porto Alegre e depois no Centro de Estudo da Pessoa, também na capital gaúcha. Em 1969, Vili Bocklage e eu criamos esse centro de estudos, pelo qual passou uma centena de psicólogos. Como, naqueles anos, ainda não havia nada de Carl Rogers traduzido para o português, eu preparei uma apostila, e logo em seguida redigi um texto, que depois de algumas remodelações, foi, em 1973, publicado com o título Cresça e faça crescer, que está atualmente, na sua sexta edição”

 

Eixo Rio-São Paulo

  • Foi sobretudo no eixo Rio – São Paulo que a proposta rogeriana de psicologia acabou sendo mais difundida, inclusive, tendo aplicações distintas em cada uma dessas capitais. No Rio de Janeiro, por exemplo, o enfoque rogeriano se voltou inicialmente, quase que exclusivamente para as práticas pedagógicas. Já em São Paulo, as idéias de Rogers foram, num primeiro momento, melhor aproveitadas no campo da clínica psicológica.

 

ACP em São Paulo

  • Em São Paulo, mais especificamente, a difusão das idéias de Rogers aconteceu a partir de 1964, através dos cursos de “Aconselhamento Psicológico” realizados na USP pelo professor Oswaldo de Barros. De acordo com Coimbra (1995a), a USP, e, com menos intensidade, a PUC/SP e o Sedes Sapientiae foram as instituições brasileiras que mais contribuíram para a promoção e divulgação das idéias desse autor.
  • A proposta de psicologia rogeriana, assim que chegou ao Brasil, contou imediatamente com a adesão de pessoas que eram tidas como de vanguarda, especialmente por suas militâncias políticas. Algumas, inclusive, estavam literalmente engajadas nas lutas de resistência contra a ditadura militar, como era o caso, por exemplo, de Iara Iavelberg. Em São Paulo, as principais representantes dessa recém surgida proposta de psicologia foram Rachel Rosemberg e Iara Iavelberg, ambas alunas regulares dos cursos de Oswaldo de Barros. Iara Iavelberg, particularmente, esteve também envolvida na luta armada contra o regime militar.
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