A HISTÓRIA DA CLÍNICA-ESCOLA DE PSICOLOGIA 27 DE AGOSTO: UMA PERSPECTIVA DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

20/08/2010 at 16:28 (Clínica)

O curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Anápolis é o único nesta cidade e conseqüentemente, a Clínica-Escola de Psicologia 27 de Agosto, inserida na citada instituição de ensino, também traz esta mesma especificidade, ou seja, é a primeira e única nesse município, evidenciando assim, um dado histórico digno de ser narrado dentro do contexto de sua criação e desenvolvimento.

Schultz e Schultz (2006), explicam que o conhecimento histórico organiza a desordem e estabelece um significado ao que parece ser um caos, colocando o passado em perspectiva para explicar o presente. Podendo dizer que a própria história do individuo pode explicar o seu estado atual, ou seja, o que fomos no passado pode mostrar o que somos no presente e, desta forma, a exploração das origens da psicologia e o estudo do seu desenvolvimento proporcionam uma visão clara da natureza da psicologia atual. Não podendo deixar de considerar que a história está sempre em progresso, ou seja, é uma história sem fim.

“A narrativa do historiador pode apenas aproximar ou discutir a verdade; no entanto, o registro é complementado a cada nova descoberta ou nova análise dos fragmentos dos dados históricos.” – (Schultz e Schultz, 2006 – pp. 9)

No entanto, a relevância deste tema vai, além disso, encontra respaldo no fato de que as Clínicas-Escola têm sido objeto de diversos estudos recentes, que focalizam desde a caracterização da clientela, a descrição dos serviços oferecidos, a importância da qualidade no atendimento, dificuldades e desafios enfrentados pela questão institucional e até mesmo propostas de melhores intervenções.

É importante citar alguns autores que também tem se dedicado a mesma reflexão, como é o caso de Ancona-Lopez (1995), Macedo (1984) e Silvares (1993) que vêm estudando a temática de Clínica-escola psicológica. Em seus estudos eles se preocupam com aspectos que englobam desde os problemas de atuação do psicólogo clínico inserido em uma instituição que atende à comunidade, a caracterização da clientela, os tipos de serviços prestados, os problemas evidenciados nesses atendimentos, o questionamento dos atendimentos tradicionais até propostas inovadoras de atendimento, confirmando com isso a relevância desse tema.

Foi pensando em apresentar a Clínica-Escola de Psicologia 27 de Agosto ao grupo das clínicas-escola, aos profissionais de psicologia em formação e à comunidade, que surgiu a idéia de escrever o nascimento e evolução desta clínica até o ano de 2009, registrando os primeiros passos da mesma nesse cenário. Tendo com isso, a oportunidade de começar essa história enquanto está recém-nascida e, assim, poder acompanhar seu desenvolvimento ao longo dos anos vindouros de história ainda a ser construída.

Desta forma, levantam-se alguns questionamentos: qual o contexto do nascimento do curso de psicologia e da clínica-escola? Qual a importância da clínica-escola na formação do psicólogo? Como os alunos em formação pensaram a sua própria formação profissional em uma clínica-escola recém-nascida? Foi possível à clínica-escola contribuir para esta formação?

Essas perguntas se tornam relevantes na medida em que discutimos como a história é importante na constituição da sociedade. Entendendo que a história, segundo afirma Costa (2008), é o estudo das ações humanas no decorrer do tempo, onde o homem, desde muito tempo, registra sua vivência para, de alguma maneira, repassar às gerações futuras informações que possam ser úteis para uma possível articulação entre o que fora registrado e o contexto em que se encontrava.

Correlacionar eventos históricos é de fundamental importância para a construção do conhecimento, bem como para a elaboração de um senso crítico que, segundo Cambaúva, Silva e Ferreira (1998) pode levar a uma politização e a um compromisso social do profissional. Costa (2008) explica que, de maneira ímpar, o estudo da história possibilita o reconhecimento do homem como produto e produtor de si mesmo, convocando o homem a expressar sua atitude diante de sua história, o que demonstra exatamente, onde pretendemos chegar com esta pesquisa.

Sendo assim, este trabalho seguirá o caminho orientado pelas questões acima propostas, pretendendo desenvolver um projeto de evolução desta história desde o seu nascimento e seqüente desenvolvimento até o primeiro semestre de 2009, problematizando a formação do profissional de psicologia, e correlacionando a importância da Clínica-escola nesta formação. E para isso se faz necessário, realizar um levantamento da criação do curso de psicologia na cidade de Anápolis (Goiás), tendo em vista que a partir da necessidade do curso nasce a Clínica-Escola de Psicologia 27 de Agosto, inserida na Faculdade Anhanguera de Anápolis. Além desses objetivos citados vale ressaltar que, por meio desta pesquisa é possível também, pensar a construção do saber em psicologia, a formação do psicólogo e a contribuição social destes à comunidade anapolina.

A Psicologia Sócio-Histórica e sua relação com a História da Clínica-escola

De acordo com Bock (2002) a Psicologia Sócio-Histórica entende o fenômeno psicológico a partir de um desenvolvimento ao longo do tempo, refletindo a condição social, econômica e cultural em que vivem os homens. Portanto, a Sócio-Histórica entende que, para falar do fenômeno psicológico é necessário falar da sociedade, assim como, falar da subjetividade humana é também ter que falar da objetividade em que vivem os homens (Bock, 2002).

Isto porque para uma melhor compreensão do homem é preciso saber que este é constituído de um mundo interno e externo, num processo dialético onde ele atua e modifica o mundo e, é por este também modificado, propiciando os elementos para a constituição psicológica do homem.

Bock (2002) vai explicar que o fenômeno psicológico deve ser entendido como construção no nível individual do mundo simbólico que é social, entendendo que ele deve ser visto como subjetividade e, esta é constituída na relação com o mundo material e social, que por sua vez, só existe pela atividade humana. Fica claro, portanto, a questão dialética da construção desse mundo psicológico, onde o fenômeno se constitui em um processo de conversão do social em individual e deste em atividades do mundo externo.

A partir de uma compreensão do homem que se inscreve no tempo e na história, percebe-se que a temporalidade é vista como aspecto constituinte da subjetividade, apontando assim, para a necessidade de compreender as vivências humanas, sua história, relações e afetos na sua historicidade (Silva e Cupolilo, 2005).

Como o presente trabalho se fundamenta na Psicologia Sócio-Histórica, é preciso entender que a referência básica de análise desta é a da historicidade das experiências humanas, bem como das idéias produzidas pelos homens como expressão mediada dessas experiências. Entende-se como experiência humana toda atividade realizada socialmente pelos homens, como forma de atender a suas necessidades, produzindo, dessa forma, sua própria existência. As experiências concretas, de atividade dos homens, implicam necessariamente a produção de idéias e representações sobre elas, as quais refletem sua vida real: ações e relações (Bock, 2002). Sendo que esta referência orienta a proposta deste trabalho no sentido de que este projeto implica em produção de idéias e das representações do que a Clínica-Escola 27 de Agosto vem realizando em sua realidade de mundo objetivo/subjetivo, registrando a memória dessas realizações e significações.

Assim, Bock (2002) explica que a Psicologia Sócio-Histórica parte das categorias de trabalho e relações sociais para situar o homem na sua historicidade, entendendo que o homem se constitui historicamente enquanto homem, por meio da transformação da natureza, em sociedade para a produção de sua existência. Portanto, em sua constituição histórica, o homem produz bens materiais e espirituais, ou seja, produz objetos e idéias. E assim, é possível dizer que essas idéias e conhecimentos produzidos pelo homem em determinado momento histórico refletirão a realidade daquele momento histórico.

Entendendo com isso, que por meio deste trabalho é possível registrar os objetos e idéias produzidas pelo homem que vai se construindo e, ao mesmo tempo, transformando o ambiente, os saberes e os sujeitos que atuam na Clínica-Escola estudada. Tendo em visa que, a partir desta clínica, é possível presenciar a sua própria transformação, enquanto instituição que promove desenvolvimento humano, assim como, de todos os que de alguma forma, estão envolvidos com os seus serviços, sejam se utilizando dos mesmos para fins psicoterapêuticos, seja para estudo e aperfeiçoamento profissional, atuando como aqueles que promovem saúde mental.

Subjetividade Social: a importância da memória para o grupo social

A subjetividade, de acordo com Bock (2002) é histórica, constrói-se ao longo da vida do sujeito, e por isso, não pode refletir o imediato. O sujeito tem sua própria historia e é a partir dela que reflete a realidade. Bock (2002) coloca que, a partir de Vigostki (1998) a subjetividade é vista como constituída a partir do significado, sendo este social e objetivo, é apropriado pelo sujeito em sua atividade implicando em uma subjetividade singular, atribuindo sentidos pessoais. Portanto, pode-se dizer que a subjetividade é individual e carregada de sentidos e significados do sujeito, e estes, são construídos no mundo externo/objetivo do homem.

González Rey (2002) entende a subjetividade como sendo a constituição da psique no individuo, para ele sujeito é historicamente constituído em sua subjetividade, em suas ações sociais, dentro de um contexto histórico e culturalmente determinado. E assim, Rey (2002) acredita que é atribuído ao sujeito, uma capacidade de subjetivação geradora de sentidos e significados em suas diferentes formas de relacionar-se, não esquecendo do caráter dialético de transformação, onde o individuo dá sentido e significado as suas relações, modificando-as e, mesmo tempo, recebendo sentido e transformação das mesmas.

Silva e Cupolilo (2005) explicam a posição de Vygostky (1998) sobre o “homem de intenções”, mostrando que esse acredita em um ser atuante em seu próprio desenvolvimento, se inscrevendo nessa realidade por meio das necessidades que possui e, isso se tornando norteador para as suas ações no mundo. Como foi entendido a partir da perspectiva vygotskyana, o sujeito se constitui em sua atividade e historicidade, onde vontade e afeto também são incluídos como parte desse processo de subjetivação.    A partir de Gonzalez Rey (2002), entende-se que, as interações sociais e individuais precisam ser compreendidas dentro de um contexto relacional da vivência e personalidade humanas, não sendo possível desvinculá-las, mas ao contrário, entender a subjetividade humana a partir da dialética existente entre o social e individual. Isto porque, a definição de subjetividade com a qual Rey (2002) trabalha, se estende à compreensão da configuração subjetiva não só dos sujeitos individuais, mas dos cenários sociais nos quais aquele atua. Tendo em vista que, a subjetivação dos espaços sociais onde o sujeito se desenvolve, é inseparável do sentido que esse mesmo sujeito dá à sua própria história, que por sua vez, é singular, mas inserida no coletivo.

Assim, vale citar aqui o que Silva e Cupolilo (2005) disseram acerca da constituição subjetiva do individuo:

“Um elemento externo, para se tornar sentido e significado para o sujeito, integra-se às suas configurações subjetivas que são constituídas na dinâmica da história das experiências de vida do sujeito.” (Silva e Cupolilo, 2005, p. 356).

Portanto, para essas autoras, as configurações subjetivas são unidades integradas que constituem a personalidade do homem e, as experiências ao serem subjetivadas, integram tais configurações. Podendo dizer que ser subjetivada é ser dotada de sentido e significação.

Resumindo, é possível dizer, a partir do que postulam Silva e Cupolilo (2005) alicerçadas nas idéias de González e Vygostsky que, a subjetividade é constituída na dialética do sujeito com o mundo, onde sujeito age no mundo e vice-versa, gerando subjetivações a partir do social e individual em constante interação. Entendendo com isso que, a subjetividade é um fenômeno complexo, histórico e socialmente construído, envolvendo as dimensões de afeto, vontade, cognição, além do simbólico, estética e ética. (Silva e Cupolilo, 2005).

Agora, partindo para um entendimento da importância da memória para o grupo social, pode-se afirmar que o relembrar envolve historicidade que é permeada por interações presentes e passadas dos sujeitos e, nesse contexto interativo, recordando as histórias destes, é possível produzir novos sentidos e significados para as vivências passadas e, assim promover melhorias no presente, sendo isto também válido para a situação especifica de uma Clínica-Escola, onde relembrando o passado interagindo com o presente podem-se criar melhores condições de atender as necessidades acadêmicas e sociais da mesma.

Portanto, memória é um elemento de desenvolvimento dos sujeitos, vinculada às necessidades dos mesmos e que é gerada a partir da dialógica entre subjetividade social e individual. Sendo que na subjetividade social a memória valorizada pela lógica do capitalismo é a memória que serve para auxiliar na resolução de problemas imediatos relacionados ao mundo do trabalho, ou que servem de preparo para o homem ingressar nele (Silva e Cupolilo, 2005).

Assim, partindo dessa premissa, percebe-se que os serviços oferecidos por uma Clínica-Escola se enquadram nesse referencial, apontando para uma memória valorizada porque conduz ao preparo profissional, resolvendo também problemas imediatos relacionados a esse mundo capitalista e do trabalho.

E, por fim, e não menos importante, vale citar a posição de Furtado (2001, apud Silva e Cupolilo, 2005) acerca da importância da memória para os grupos sociais. Ele fala da memória como a possibilidade de acumulação do conhecimento pelo homem e de sua partilha no decorrer da vida coletiva, transmitindo pelas gerações. Assim, Furtado explica que a partir da memória surgem as condições para o “estabelecimento da cultura humana”, onde cultura é vista como “acervo de tudo o que o homem produziu coletivamente a partir de suas  relações sociais e da forma como ele retém essa produção em sua memória”.

Como Silva e Cupolilo afirmam:

“Utilizar a memória para lembrar o passado é a possibilidade de reservar e de dar continuidade ao desenvolvimento da identidade dos indivíduos e da cultura. Por meio dessa atividade, fala-se da individualidade e da coletividade como processos que se constituem dialeticamente pelo processo histórico.” ( Silva e Cupolilo, 2005, p.360)

Clínica-Escola e sua importância histórica: uma reflexão de seus principais objetivos

Quando regulamentada a profissão do psicólogo pela Lei n. 4.119, em 27 de agosto de 1962, foi referido que cada curso de Psicologia deveria organizar serviços de atendimento para que os alunos, sob supervisão docente, praticassem o que lhes foi ensinado nas disciplinas da graduação (Brasil, 1962). Esses serviços, conhecidos como clínicas-escola passaram a constituir tanto locais onde os alunos da graduação pudessem exercer os estágios e aplicar o que aprenderam nas disciplinas, como oferta, feita pela universidade, de prestação de serviços de atendimento psicológico, gratuito ou semigratuito, à comunidade (Güntert et al., 2000), citado por Campezatto e Nunes, 2007. Desta forma, a clínica-escola nasce embasada em dois objetivos específicos: formação do psicólogo (aperfeiçoamento profissional) e uma atenção básica ao social, à comunidade.

Portanto, as Clínicas-Escola de Psicologia têm como finalidade básica possibilitar o treinamento de alunos mediante a aplicação dos conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula, o que pode contribuir para a formação de profissionais adequadamente habilitados e capazes de expandir as práticas psicológicas em consonância com as novas realidades e demandas sociais, políticas e culturais da atualidade. Além disso, as Clínicas-Escola também exercem um papel social de extrema importância, uma vez que oferecem à população economicamente desfavorecida uma possibilidade de acesso a serviços psicológicos gratuitos ou de baixo custo financeiro (Herzberg, 1996 citado por Peres, Santos e Coelho, 2004).

Entende-se a clínica-escola como o ponto de intersecção entre a formação e o exercício profissional, tendo em vista que somente estudar Psicologia Clínica não ensina a ser clínico: ser clínico se aprende sendo, ou seja, a ênfase do estudo teórico nesta área não refuta a idéia de que a clínica se aprende no contato com o paciente. Esta é a importância crucial das clínicas-escola que, por lei, devem fazer parte dos serviços de Psicologia aplicada ligados aos cursos.

Ainda, para uma melhor compreensão do conceito de clínica-escola, é possível falar da complexidade de sua rotina, envolvendo diversos segmentos e atividades diferentes para servir a objetivos também diferentes, embora interdependentes. Práticas de disciplina, estágios supervisionados, os interesses e necessidades da população e a necessidade de disponibilizar e estruturar dados que possam ser utilizados para pesquisas coexistem e precisam ser atendidos no espaço dos serviços de Psicologia aplicada. Estas três vertentes – ensino, pesquisa e extensão – não são de fácil articulação numa proposta única de trabalho, muito embora façam parte de um só projeto que, de uma forma mais ampla, podemos dizer tratar-se do projeto de “universidade” – espaço no qual se pretende produzir, transmitir e aplicar conhecimentos. (Perfeito e Melo, 2000)

Além disso, neste tipo de serviço a rotina envolve vários aspectos que se entrelaçam, como: recepção; construção do kit de prontuário, com seus formulários, pela secretaria; pré-seleção de clientes, segundo a clientela-alvo ou o critério de existência de vagas; forma de registro dos dados; uso da clínica por profissionais e estagiários com diferentes propósitos; uniformidade da rotina de registro, até o relacionamento entre pessoas que incorporam a clínica de forma definitiva e aqueles que somente ocasionalmente lançam mão de seu espaço e procedimentos.

O atendimento aos usuários é realizado por alunos/estagiários do curso de graduação em psicologia, orientados e supervisionados por psicólogos – mestres e especialistas – credenciados junto ao CRP. Todos os serviços prestados na clínica-escola ficam sob a responsabilidade direta do psicólogo supervisor que deve verificar e acompanhar pessoalmente a capacitação técnica de seu aluno estagiário.

Histórico do Contexto onde é inserida a Clínica-Escola de Psicologia 27 de Agosto

Para desenvolver a pesquisa, abordou-se o Projeto Político Pedagógico (PPP) do Curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Anápolis (FAA), por meio do qual localizamos o contexto histórico, econômico e geográfico no qual a Clínica-escola está inserida.

De acordo com o PPP, o estado de Goiás é composto de 246 municípios, sendo Goiânia, a capital, o mais populoso, com 1.090.737 habitantes. Quanto às demais cidades, três possuem população em torno de 250 mil habitantes, duas outras contam com aproximadamente 100 mil habitantes, no restante a população é bem menor, ficando as cidades menos populosas com 1.000 a 2.000 habitantes (GOIÁS, 2000 – PPP). Além de poder dizer que Goiás tem apresentado um ritmo de crescimento acima da média nacional, pelo poder de atração do entorno de Brasília e Goiânia, representando uma grande explosão populacional no entorno.

Possui uma bem estruturada rede de escolas do Ensino Fundamental e Médio, tanto públicas (60% dos estabelecimentos) quanto particulares (40% dos estabelecimentos). Anápolis conta com as seguintes escolas de ensino superior: Universidade Estadual de Goiás, Faculdade Anhanguera de Anápolis, FIBRA (Faculdade Instituto Brasil), UniEvangélica e Raízes. Além de sediar a Administração Regional de Saúde que, por sua vez, faz convergir um grande número de pessoas para Anápolis em busca de tratamento de saúde, visto que os municípios vizinhos necessitam de auxilio técnico complementar da área da saúde de Anápolis. Além das cidades mais distantes localizadas no norte do estado que buscam assistência integral à saúde.

Embora fique evidenciado o desenvolvimento industrial-comercial de Anápolis, bem como a expansão do setor de saúde principalmente no que diz respeito à saúde pública, Anápolis não tinha faculdade de Psicologia até fevereiro de 2005. Evidenciando assim, a necessidade da atuação de psicólogos na cidade de Anápolis que empreguem os recursos metodológicos e técnicos da psicologia adequados às várias possibilidades de intervenção e tomadas de decisão tanto em hospitais gerais, psiquiátricos, pronto-socorros, ambulatórios, centros e postos de saúde, consultórios particulares, clínicas especializadas, sindicatos, fundações, empresas, organizações não-governamentais, e outros.

Segundo afirmações do PPP, a Faculdade Anhanguera de Anápolis objetiva formar profissionais de psicologia com atuação diretamente relacionada às necessidades da comunidade local e regional. E analisando tais necessidades percebeu-se que, é principalmente na área da psicologia do trabalho e clínica que o profissional encontrará maiores oportunidades de seguir carreira em Anápolis. Desta forma, o curso se desenvolve focado nestas duas atuações sedimentado na demanda da comunidade local e dos arredores da cidade que apontavam à carência de um curso de Psicologia que pudesse atender as necessidades desta população.

Formação da Clínica-Escola de Psicologia 27 de Agosto

O curso de Psicologia da FAA é o único na cidade de Anápolis. Teve a sua autorização para funcionamento através da Portaria do Mec nº 274/05, publicada no Diário Oficial da União no dia 28 de janeiro de 2005.

Os objetivos gerais do curso, apontados no PPP são: formação do profissional de Psicologia com capacidade crítica e criativa que possa intervir na realidade através de uma ação transformadora gerada por sua competência teórica-prática e direcionada por um compromisso ético na construção de uma sociedade justa e democrática; assim como, formar profissionais num sentido amplo e generalista, porém com ênfases em Psicologia e processos clínicos e em Psicologia e processos de gestão, a fim de suprir as demandas da comunidade goiana e anapolina.

O projeto pedagógico do curso de Psicologia da FAA norteia-se pelas Diretrizes Nacionais Curriculares para o curso de Psicologia (CNE/CES 0062/2004), homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação e publicado no Diário Oficial da União no dia 12 de abril de 2005. E, segundo exigências destas, no projeto de curso deve-se prever a instalação de um Serviço de Psicologia com as funções de responder as exigências para a formação do psicólogo, congruente com as competências que o curso objetiva desenvolver no aluno e as demandas de serviço psicológico da comunidade na qual está inserido.

O Serviço em Psicologia é uma unidade de apoio ao Curso de Graduação em Psicologia, uma vez que o Serviço tem o papel de dar suporte a atividades que o Curso de Psicologia precisa dar para assegurar a qualidade do ensino a seus alunos.

Sendo assim, o Serviço-Escola vincula-se diretamente ao curso de graduação em Psicologia tendo como função oferecer ao aluno do curso condições necessárias para a formação em Psicologia. Para isso, vincula as condutas profissionais dos alunos, por meio do ensino, às necessidades da população por eles atendida, promovendo ao mesmo tempo, melhores índices da qualidade de vida da comunidade atendida e a transformação dos conhecimentos psicológicos produzidos a partir desses trabalhos realizados. De acordo com o PPP, os objetivos do Serviço-Escola são caracterizados por: a) garantir a formação integral do aluno do curso de Psicologia; b) vincular os conhecimentos adquiridos ao suprimento das necessidades locais e regionais através da oferta de atendimento; c) produzir continuamente conhecimentos da Psicologia através da vinculação teórico-prática dos serviços realizados; d) divulgar e difundir o conhecimento produzido pela Psicologia junto à comunidade.

O Projeto de curso aponta as aprendizagens necessárias que o Serviço de Psicologia deve garantir como parte de suas responsabilidades na formação de futuros psicólogos, as quais estão relacionadas ao trabalho de “intervir profissionalmente” em fenômenos psicológicos e em seus determinantes. Desta forma, o Serviço-Escola, como setor centralizador de atividades para atendimento de necessidades do Curso de Graduação em Psicologia, do público universitário e do público de maneira geral, pode oferecer: atendimento ao público (sempre com envolvimento dos alunos) e atendimento ao Curso de Psicologia com fornecimento de retro-alimentação constante para revisão das competências definidas como parte do perfil profissional, por meio de avaliação sistemática do desempenho acadêmico do aluno e monitoramento e avaliação sistemática dos psicólogos formados por esta IES.

No caso da clínica psicológica, ela pode congregar atividades de diferentes tipos: terapia de crianças, jovens e adultos, casais, pacientes especiais etc., conforme as necessidades regionais e locais, de acordo com as capacidade e características dos profissionais que oferecem esses tipos de atendimentos por meio da atuação dos alunos em formação. Os tipos de serviços e de atividades oferecidos pelo Serviço-Escola em Psicologia se configurarão considerando duas condições: necessidades locais e recursos humanos e físicos existentes para realizar tais trabalhos.

Procedimentos Metodológicos

Esta pesquisa é desenvolvida com base no método histórico que busca nos acontecimentos passados explicações, causas para a ocorrência de determinados fatos. E de forma mais especifica, com o materialismo histórico-dialético, que por sua vez, acredita que o homem não apenas modifica a natureza, mas também, é por ela modificado. Oferecendo, portanto, bases para uma interpretação dinâmica dos fatos sociais, uma vez que são entendidos e percebidos em seu contexto sócio-histórico e cultural.

Trata-se de uma pesquisa participante, explicada por Severino( 2007, p.120), como sendo uma pesquisa onde o pesquisador para “realizar a observação dos fenômenos, compartilha a vivência dos sujeitos pesquisados, participando, de forma sistemática e permanente, ao longo do tempo da pesquisa das suas atividades”.

Foi utilizado o tipo de pesquisa participante por corresponder as necessidades de uma população previamente selecionada e, também porque, a pesquisa participante oferece um leque de abertura no que tange a observação, pois a realidade não é estática, porque o fenômeno está em constante movimento de um eterno vir a ser.  Tanto observador quanto o observado desempenham um papel ativo numa relação dialética como acontece nos fenômenos histórico-sociais.

Quando se faz à análise dos dados obtidos na entrevista, observação e avaliação, a pesquisa apresenta um caráter qualitativo. Para Rey (2005), a pesquisa qualitativa envolve a absorção do pesquisador no campo de pesquisa, considerando-se como parte do “cenário social em que tem lugar o fenômeno estudado em todo o conjunto de elementos que o constitui, e que, por sua vez, está constituído nele”.

Tem-se como participante desta pesquisa, a Clínica-Escola de Psicologia 27 de Agosto, parte integrante do Curso de Psicologia, localizada ou inserida na Faculdade Anhanguera de Anápolis. Sendo utilizados como recursos para a realização da mesma: entrevistas informais com os participantes da fundação do Curso de Psicologia e da Clínica-escola da referida instituição, assim como, a aplicação de questionários com os alunos estagiários da primeira turma do curso que, estando em formação tiveram suas primeiras experiências em uma clínica-escola também em formação, além de uma análise documental referente a documentos específicos da formação dessa clínica-escola,

Portanto, seguindo todo esse caminho metodológico, no desenvolvimento desta pesquisa foram agendadas entrevistas com os participantes da fundação do Curso e Clínica-Escola de Psicologia (J.T., M.L. e N.A.) e, posteriormente, realizadas as entrevistas, seguidas de transcrição e digitação das mesmas. Também foi aplicado o questionário de análise da formação da Clínica-Escola entre os alunos do último período, que por sua vez, vivenciaram as primeiras experiências da clínica em formação, fazendo assim, a própria história da clínica. Para esta aplicação foi selecionado um dia de prova para que pudesse atingir um maior número de participantes possíveis, no entanto, foi alcançada apenas uma amostra de 50% dos alunos. Complementando a pesquisa foi realizada uma análise do Projeto Político Pedagógico do Curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Anápolis, de onde foram coletados dados referentes ao processo de formação do curso e da clínica.

Após a coleta de dados (entrevista, questionário e pesquisa documental), sistematizaram-se os mesmos, tabulando-os e registrando em gráficos, assim como, relacionaram-se os dados coletados com a história da clínica, que por sua vez, é visto logo abaixo nos resultados.

Resultados e Discussões

A partir das entrevistas é possível afirmar que a idéia de criação do Curso de Psicologia na cidade de Anápolis nasce de um sonho já existente e compartilhado entre os professores e psicólogos: J. T., M. L. e N. A. e o diretor da Faculdade Latino Americana (atual Anhanguera de Anápolis), J. O.

Segundo informações coletadas nas entrevistas, uma Instituição de ensino da cidade havia realizado uma prospecção por meio de uma consultoria, onde o curso de psicologia apresentou uma boa demanda mercadológica para a região, esta mesma  Instituição elaborou um projeto de curso que, por sua vez, não foi aprovado pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura).

Nesse momento, baseando-se nas respostas de J., M. e N., pode-se dizer que, com os dados da pesquisa em mãos, consciente da demanda regional e local, somados ao sonho de trazer o curso de psicologia para a cidade e o desejo de expandir seus cursos, o professor J. O., trouxe o projeto do curso de psicologia da Faculdade Politécnica de Jundiaí (que mantinha contato com a Faculdade de Anápolis e nos cedeu o projeto para análise) e convidou a profª. J. T. para que coordenasse o projeto, e fosse assessorada por M. L. e N. A.

De acordo com os entrevistados, para a realização desse projeto foram necessários alguns passos iniciais e importantes como, por exemplo: algumas reuniões com a equipe (professores convidados para auxiliarem na elaboração e execução do projeto, coordenados pela professora J. T.) e uma visita às propostas de outras Instituições de Ensino (contato com outros projetos de curso de psicologia, inclusive o da Faculdade Politécnica de Jundiaí); reler as diretrizes curriculares e a partir disso elaborar um projeto pedagógico que atendesse as demandas das diretrizes e da região; reunir a equipe para a realização da proposta; preparo do ambiente físico (laboratório, compra dos livros e contratação dos professores); submissão ao MEC que logo depois envia a equipe para avaliar.

Como todo trabalho para a realização de um sonho, são encontrados vários obstáculos e dificuldades, não foi diferente na criação do Curso de Psicologia e do Serviço-Escola. Já no primeiro momento, a professora J. aponta como uma das dificuldades a própria inexperiência como coordenadora e de toda “a equipe que teve de aprender fazendo”, além de lidar com as demandas institucionais, visto que o projeto deve ser estruturado de acordo com a visão e missão da Instituição de Ensino. Também foi relatada a necessidade de um grande investimento inicial de materiais e laboratórios sem a mantenedora ter certeza da aprovação, sendo tudo comprado desde o ano de 2004, correndo o risco de não ser aprovado, além de outra dificuldade relacionada à Comissão avaliadora que chegou aqui descontextualizada com o Estado de Goiás, trazendo idealizações de Psicologia Social de Belo Horizonte e Santa Catarina.

Segundo conta J. T., no período de 2003 a 2005, houve mudanças nas Diretrizes Curriculares, sendo necessária a adequação do projeto às novas Diretrizes (de 2004) antes do funcionamento do curso. Estando o projeto já encaminhado e realizadas as adequações necessárias, agora era colocar o projeto em prática, portanto, após a autorização do MEC e publicação da aprovação no Diário Oficial da União (DOU), foram realizadas adequações na estrutura física e acadêmica  e dado início ao processo seletivo, matrícula e seleção dos professores ligados às disciplina.

Desta forma, o Curso de Psicologia da FAA tem sua publicação no DOU em janeiro de 2005 e seu início oficial em fevereiro de 2005, mais precisamente, no dia 17 de fevereiro de 2005.

Após a formação do Curso, pode-se agora registrar, segundo os dados coletados nas entrevistas, a criação da Clínica-Escola. Assim sendo, é possível dizer que desde o Projeto Pedagógico, que é uma exigência das Diretrizes, já existia um projeto da Clínica-Escola: quanto à estrutura física, foi realizada a planta e requisitado o espaço, a mobília estava requisitada desde a abertura do curso, com tamanhos e tipos especificados de acordo com o modelo de Jundiaí; quanto à estrutura acadêmica, tivemos vários colaboradores incorporados ao longo do curso, onde muitos destes não tinham conhecimento do projeto, a partir disso, o coordenador do curso – M.L. – definiu quem seriam os supervisores, realizou a seleção da secretária da clínica e, por meio de reuniões com este corpo de docentes foi se estruturando o que seria o funcionamento da clínica junto com as exigências da Anhanguera Educacional. Também era necessário o planejamento dos 10 semestres com a carga horária e, a cada semestre, organizavam-se os detalhes que lhe eram específicos.

Portanto, a partir dos dados coletados nas entrevistas, pode-se inferir que, a criação da Clínica-Escola ocorre junto com o próprio Projeto Pedagógico do curso. A escolha do nome é feita pelo atual coordenador do curso, M. L. que, movido pela necessidade de escolher um nome que não fosse tendencioso para alguma abordagem da psicologia (sendo interesse da Faculdade Politécnica de Jundiaí colocar um nome ligado à Jung), decide por “Clínica-Escola de Psicologia 27 de Agosto” em função do Dia do Psicólogo. Podendo dizer que a Clínica abriu as portas aos alunos e à comunidade em fevereiro de 2008, sendo que em 2003, junto com o Projeto Pedagógico, foi dado seu processo de criação.

Partindo do que foi exposto nas entrevistas, entendemos que a Clínica-Escola está apta a abrir suas portas à comunidade a partir do momento que ela apresente uma estrutura física adequada com todas as licenças que são necessárias (Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros, Conselho de Psicologia, etc), um corpo docente integrado e que trabalhe em prol dos objetivos do curso e da clínica, bem como a presença de alunos que estejam em momento do curso que o estágio é recomendado, ou seja, do preparo acadêmico dos mesmos.

Quanto aos seus objetivos primordiais, de acordo com os entrevistados, pode-se dizer que estão voltados para a oferta de um campo de contextualização dos conhecimentos, aprimoramento de técnicas e reconhecimento da realidade ligada à atuação do profissional de psicologia, ou seja, formação de recursos humanos na área da psicologia, além de prestar serviços comunitários, atendendo a comunidade de forma gratuita.

Quanto às dificuldades encontradas durante todo esse processo de formação dos serviços, pode-se relatar a partir de avaliações dos entrevistados que, inicialmente, a dificuldade era relativa à triagem, quem deveria ser a clientela em termos econômicos, proximidade (parentesco) com os estagiários, a definição mais precisa e rápida dos alunos em relação à escolha de seus supervisores de estágio. “No primeiro momento, não houve divulgação, porque esperávamos uma inauguração, não havendo nem dentro da faculdade conhecimento sobre a Clínica. Porém, com o tempo, com a divulgação realizada pelos próprios clientes atendidos, estagiários e pelo corpo docente, percebeu-se uma aceitação muito positiva que reflete no número de inscrições que temos hoje na clínica para atendimentos” (J.T.).

M.L. fez uma colocação muito importante para o entendimento das dificuldades em relação à fila de espera, que por sua vez, já existe em um ano e meio de funcionamento, segundo ele, “a demanda da comunidade só tende a aumentar enquanto a dos alunos não, sem falar que nenhuma clínica-escola consegue atender a tanta demanda, sempre haverá fila de espera”.

Correlacionando os dados das entrevistas com os dados coletados na análise do Projeto Político Pedagógico, pode-se afirmar que, para a inserção do aluno no Serviço-Escola, este deve, primeiramente, estar cursando os estágios básicos e, posteriormente, o obrigatório que são as Práticas em Psicologia I e II. Para assegurar esse processo, o curso contava com uma supervisão geral que, por sua vez, organizava o trabalho junto com o grupo de supervisores de estágio, sendo todas as decisões e processos definidos com base no diálogo entre estes supervisores, supervisão geral, secretária da Clínica-Escola e o coordenador do curso. “Nesse sentido, esta experiência inicial foi fundamental para estruturar os atendimentos de 2009 que seria o estágio em Práticas de Psicologia com uma carga horária muito maior para os alunos” (J.T.). Assim, os alunos passaram por supervisões obrigatórias que buscavam discutir além das questões teóricas, as questões éticas envolvidas no processo, depois eram orientados pela secretária da clínica-escola no que diz respeito aos procedimentos burocráticos, enquanto a recepção e triagem funcionavam paralelamente.

Complementando a parte dos estágios na Clínica, pode-se dizer com base no PPP que as diferentes seções de trabalho do Serviço de Psicologia foram definidas progressivamente, de acordo com os interesses, necessidades e possibilidades de implantação (com expectativas de realização de convênios com instituições e organizações da região para ampliar as possibilidades de envolvimento de alunos com ambientes, situações diversas e profissionais com outros tipos de formação). Superada a fase de implantação dos diferentes serviços e atividades, que deveria ocorrer até o 5º ano de funcionamento do curso, os processos de avaliação e de administração dariam conta dos aperfeiçoamentos necessários ao bom andamento do Serviço-Escola.

Como bem exposto no PPP, os alunos começam a atuar no Serviço-Escola a partir dos Estágios V e VI – Psicologia e processos clínicos, Psicologia e processos de gestão. São oferecidas três modalidades de estágios para cada ênfase – processos clínicos e processos de gestão. O aluno faz a opção pela ênfase e a modalidade a cursar no final do período anterior ao estágio.

Após a análise dos resultados das entrevistas, registrando a formação da Clínica-Escola a partir da visão dos três professores fundadores do curso, passa-se agora a relatar a formação profissional em uma Clínica-Escola também em formação, partindo da perspectiva do aluno-estagiário que fez parte desta primeira turma do curso e que, portanto, participou desse primeiro momento histórico da Clínica-Escola.

Na Tabela 1 são apresentadas as primeiras atividades realizadas na Clínica-escola, demonstrando que, inicialmente, a Clínica teve um caráter bem acadêmico no sentido de que seus primeiros serviços serem aulas de avaliação psicológica e supervisões gerais, antes mesmo de se ter os recursos humanos adequados para o seu funcionamento. Assim, nesse momento a clínica se apresenta como parcialmente aberta, oferecendo apenas serviços de treinamento aos alunos e, posteriormente, abre oficialmente suas portas, acrescentando os serviços de atendimento ao público, onde se enquadram as demais atividades relacionadas abaixo na tabela.

Tabela 1 – Primeiras Atividades Realizadas na Clínica-Escola em ordem cronológica:
Aulas de Avaliação Psicológica – testes
Supervisões
Orientação Vocacional e Profissional
Psicodiagnóstico
Psicoterapia
Plantão e Triagens
Trabalho em grupo

Figura 1. Expectativas Iniciais

*Divã, lugar de segurança, minimizar o sofrimento, convívio com a realidade profissional, confusa, preparação

Figura 2. Expectativas mudaram ao longo do processo

*Sim (vivenciou o que esperava, adaptou, divisão com nutrição, decepção com os horários, obtenção de experiência, melhorou o número de alunos para supervisão)

Analisando as figuras 1 e 2 percebe-se que os alunos iniciam seus estágios na clínica com muitas idealizações do que pode vir a ser esse serviço do curso, no entanto, durante as primeiras vivências vê-se que eles são forçados a adaptação com a realidade, sentindo-se muitas vezes realizados pela experiência adquirida e outras vezes, frustrados por não encontrarem a clínica dos sonhos, o que é bem compreendido porque se trata de um contexto institucionalizado de aprendizagem.

Figura 3. Como foram vivenciadas as primeiras experiências

Naturalmente, as primeiras experiências são vivenciadas (figura 3) com medo de errar o procedimento, com muita ansiedade e insegurança, sendo poucos os alunos que as vivenciaram com tranqüilidade e segurança. Tendo em vista que é aqui que os alunos demonstrarão o aprendizado teórico, mas, todavia, é o primeiro contato com a prática, sendo ainda um momento de aprendizagem, só que agora, prático.

Figura 4. Como foi atuar na Clínica em Formação

*Sentimento de ser testado, experiência de valor, frustrante, desafiador, crescimento, segurança, tranqüilo, contribuiu para a formação, aceitável, gratificante, experiência confusa, difícil, faltou muita coisa, possibilidade de ajudar as demais turmas.

A partir da figura 4, pode-se analisar a experiência dos alunos de atuarem em uma clínica em formação, confirma-se a singularidade de cada experiência, visto que cada um tem a sua forma de significar sua experiência. Foram vários alunos que demonstraram que esta atuação foi boa, sendo uma média de 34% com respostas entre boa e muito boa. Também foi possível analisar que 14% dos alunos vivenciaram esse momento como aprendizagem, consolidando o objetivo da clínica. No entanto, dentro desta singularidade é possível ver respostas como frustrante, com o sentimento de ser testado, uma experiência confusa e difícil, mas mesmos entres estes, encontram-se aqueles que acreditam que o fato de terem sido a primeira turma, possibilitou melhores atuações para as demais turmas, deixando um sentimento de contribuição para as mesmas e para a história da clínica, entre estas singulares respostas, foi constatado um equivalente de 52% dos alunos.

Figura 5. Dificuldades durante os atendimentos

Figura 6. Tipos de dificuldades encontradas durante os atendimentos

*Outros (Encaminhamento do paciente para o estagiário, Pouco respaldo psicológico de supervisão)

Na figura 5, verifica-se que, da mesma forma que alguns alunos experimentam dificuldades nos atendimentos, outros não consideram da mesma maneira. E assim, seguindo na figura 6, onde tais dificuldades são relacionadas, analisa-se que 24% delas são referentes à relação teórica-prática, que por sua vez, pode ser compreendida na figura 3 em que os alunos demonstram medo e ansiedade nesse momento de colocar em prática a aprendizagem teórica. Também existem dificuldades em relação à desistência e falta dos usuários, somando um percentual de 32%. Além da disponibilidade de horários e consultórios para atendimentos, lembrando que muitas vezes, não eram compatíveis os horários dos usuários com o dos alunos, fechando um total de 18%. Mas as dificuldades continuam e se estendem à compreensão teórica, ao encaminhamento do paciente ao estagiário (o que muitas vezes, não coincidiam os horários e voltava a dificuldade de se conseguir usuários para o atendimento, lembrando que no inicio dos atendimentos, como a clínica não tinha sido inaugurada, a divulgação fora apenas interna, não havia o número suficiente de pacientes para a quantidade de alunos) e à pouca disponibilidade de supervisões, tendo pouco respaldo psicológico.

Figura 7. Experiências Relevantes durantes os atendimentos

A partir da figura 7, é possível entender que 50% dos alunos que responderam o questionário não consideram nenhuma experiência relevante durante seus atendimentos e 19%, não atuaram na Clínica. Daqueles que experienciaram alguma situação relevante, encontram-se 15% que relataram a evolução do paciente como de significativa importância. Quanto aos demais, em porcentagens menores, pode-se verificar experiências como: supervisão que constrangeu determinado aluno, o contato com o outro, a gratidão de paciente ao término do processo e a experiência de um aluno, onde após o atendimento realizado, a paciente desmaiou.

Figura 8. Contribuição da Clínica para a Formação do Profissional de Psicologia

Com a figura 8, é possível analisar a contribuição da Clínica-Escola para a formação do psicólogo na visão dos alunos que ali atuaram. Desta forma, pode-se dizer que 21% dos alunos consideram a clínica um lugar de aperfeiçoamento profissional, solidificando o objetivo primário da clínica que é a formação profissional do psicólogo. Como, nesta temática, várias opções poderiam ser marcadas, percebe-se que os alunos entendem a clínica como um espaço para aprender e errar (confirmando o espaço de aprendizagem), de construção como sujeito e agente transformador, de acolhimento da dor do outro, assim como, espaço de promoção de saúde, sendo 64% das respostas distribuídas de forma igualitária entre estas considerações.

Figura 9. Sentido e Significado da Clínica

E por fim, a figura 9 apresenta o sentido e significado da clínica para estes alunos, sendo esta uma questão aberta. Desta forma, ficou evidenciado que 42% dos alunos continuam compreendendo a Clínica com um significado de aperfeiçoamento profissional e 25% como aprendizado, o que mais uma vez identifica o objetivo da clínica, que na perspectiva dos alunos está mais relacionado ao aprendizado deles do que ao atendimento à comunidade, sendo que apenas 3% deu o sentido de ajudar o outro. Também foi possível verificar que 9% apontaram para o crescimento pessoal e 9% para o contato com o paciente.

Retomando as questões propostas inicialmente, pode-se dizer que o objetivo deste trabalho foi alcançado, tendo em vista que conseguimos, no decorrer da pesquisa responder os questionamentos levantados. Sendo assim, a partir dos dados coletados, pode-se afirmar que o Curso de psicologia e a Clínica-escola da Faculdade Anhanguera de Anápolis nasceram por meio do Projeto Político Pedagógico, num contexto de demanda mercadológica e social da região. Quanto à importância da clínica-escola na formação do psicólogo, ficou bem esclarecido o aspecto da aprendizagem, do aperfeiçoamento profissional, sendo vista como espaço de articulação entre a teoria e a prática e oferecendo subsídios necessários para o exercício da profissão do psicólogo.

Para a questão de como os alunos da primeira turma pensaram a sua própria formação profissional em uma clínica-escola recém-nascida, ficou evidenciada a subjetividade individual que veio carregada de sentidos pessoais, como por exemplo: o sentimento de ser testado, experiência de valor, frustrante, desafiador, crescimento, segurança, tranqüilo, contribuiu para a formação, aceitável, gratificante, experiência confusa, difícil, faltou muita coisa, possibilidade de ajudar as demais turmas. Sem falar nas respostas que se apresentaram de forma mais coletiva, por serem um grupo maior considerando este contexto de formação profissional como um espaço de aprendizagem ou mesmo, como uma experiência relevante. Sendo possível fechar estas questões dizendo que, na perspectiva do aluno, houve contribuição da clínica-escola para as suas formações profissionais.

Como proposto inicialmente, decidimos analisar os dados desta pesquisa a partir do olhar e perspectiva da Psicologia Sócio-histórica e, como já foi dito, a referência básica de análise da Sócio-histórica é a da historicidade das experiências humanas, bem como das idéias produzidas pelos homens como expressão mediada dessas experiências. O que ficou bem claro neste trabalho, tendo em vista que, o tempo todo foi considerado as experiências humanas, no sentido de que, na medida em que se escrevia a história da Clínica, procurou-se apresentar as atividades realizadas socialmente pelos homens, como forma de atender a suas necessidades, produzindo, dessa forma, sua própria existência. Sendo bem evidenciado nas apresentações das demandas locais e regionais, bem como nas demandas dos alunos e em como tais necessidades foram atendidas pelo Curso e seu Serviço-escola.

E como Ana Bock (2002) coloca, as experiências concretas, de atividade dos homens, implicam necessariamente a produção de idéias e representações sobre elas, as quais refletem sua vida real: ações e relações. Enquanto escrevemos a história da formação profissional na Clínica-escola 27 de Agosto, percebeu-se que cada aluno trouxe o seu referencial, a sua representação e significado com o que vivenciou no contexto de aprendizagem prática oferecido pela clínica.

Contudo, nesta parte compreende-se bem a subjetividade se constituindo a partir do significado, que por sua vez, é social e objetivo, apropriado pelo sujeito em sua atividade, implicando em uma subjetividade singular, atribuindo sentidos pessoais. O que explica a diversidade de respostas encontradas no momento de significar suas experiências, de compreenderem o contexto institucionalizado da aprendizagem prática, de perceberem o outro no contato diário, na lida com as dificuldades da prática profissional e de sua relação burocrática e estrutural. Deixando claro que a subjetividade é individual e carregada de sentidos e significados do sujeito, e estes, são construídos no mundo externo/objetivo do homem.

Também é possível compreender o processo dialético da construção do psicólogo que, lidando com as idealizações e realidades de sua práxis, se viu num jogo de opostos, que o constituía agente dessa história na medida em que a construía e a transformava com suas ações, mas que, contudo, era por ela modificado, lapidado e terapeutizado, se transformando num sujeito pensante e praticante que compreende sua dialética e aceita-a como parte de sua formação humana e profissional. Desta forma, concorda-se com González Rey (2002) que acredita no sujeito como historicamente constituído em sua subjetividade, em suas ações sociais, dentro de um contexto histórico e culturalmente determinado, confirmando a idéia deste trabalho que apresenta o profissional de psicologia se formando nesse processo dialético e histórico a partir de suas próprias vivências e da forma como dá sentido e significado a elas. O que também esclarece a contribuição da Clínica-escola nesta formação, com o seu objetivo voltado para o treinamento de habilidades que capacitem este sujeito no exercício de sua profissão, a Clínica-escola como contexto modificado pelo homem ali atuante e, ao mesmo tempo, construindo-o e formando-o profissionalmente e, porque não dizer, socialmente.

No entanto, essa contribuição será percebida dentro da singularidade de cada um, a partir da subjetividade de cada aluno, sendo por isso, encontradas pessoas satisfeitas com o crescimento alcançado, com a percepção adquirida da realidade profissional e, ao mesmo tempo, são encontradas pessoas com medo de enfrentarem a prática profissional, e mais, pessoas que ainda permanecem insatisfeitas porque não conseguiram se desvencilhar da idealização dos atendimentos clínicos.

Com isso, pode se dizer que a História da Clínica sendo contada por cada um que ali atuou, poderia ser contada de diversas maneiras com sentidos e significados também, diversos. Portanto, a História desta Clínica se dá na subjetividade de cada um, na dialética da construção do saber e do praticar. Na dialética do existir humano, a história desta Clínica se constrói de forma dinâmica e inacabada, sendo todos os dias modificada e, neste trabalho, apenas foi dado inicio ao processo de escrevê-la, porque ele não acaba aqui, todos os dias, esta história será construída e contada por um e por outro dentro do seu momento histórico e de sua subjetividade individual e coletiva.

Considerações Finais

Pode-se dizer que ficou bem evidenciada, a contribuição deste trabalho, no sentido de unir-se a outros pesquisadores nessa luta por refletir a prática e a formação do psicólogo além de apresentar mais uma clínica-escola ao cenário acadêmico e social, tornando a psicologia mais conhecida entres os mesmos.  

Acredita-se que a partir de uma subjetividade coletiva, a clínica-escola no contexto histórico estudado neste trabalho, apesar de seu caráter social, apresentou mais focada em um contexto acadêmico, que por sua vez, visa o ensino, a articulação entre a teoria e a prática, ou seja, um aperfeiçoamento profissional do aluno do curso de psicologia que, ingressa na clínica-escola no último ano do curso e, precisa concluir o mesmo com fundamentos suficientes para exercer uma prática ética voltado para o humano.

Desta forma, é importante pensar o papel das clínicas-escola de psicologia na formação dos futuros psicólogos e, como Silvares e Löhr (2006) apontam, é preciso refletir na construção de um corpo sólido de conhecimento relacionado às práticas profissionais. Também como papel das clínicas-escola, pode-se acrescentar que estas são produtoras de conhecimento assim como, adaptadoras do mesmo de acordo com cada contexto social ou regional.

Bem colocado por Silvares e Löhr (2006), “um bom profissional de psicologia necessita ter capacidade empática, repertório de habilidades sociais, maturidade pessoal, criatividade, capacidade de leitura apropriada do contexto, aliado ao domínio de conteúdo teórico e técnico e da preocupação com a conduta ética no exercício da profissional”.

Sabe-se que para falar da História da Clínica-escola de psicologia 27 de agosto, muito poderia ser dito e de várias formas diferentes, abordando vários aspectos ou facetas da clínica. No entanto, para este trabalho, optou-se por focar a história e a formação profissional, o que não impede a construção de novas pesquisas para dar seguimento a essa. Sendo possível ainda, em um outro momento, falar da história e a relação com a estrutura física e patrimonial; a história da clínica e a avaliação institucional; a história da clínica e a comunidade atendida. Demonstrando com isso importância e dinâmica nestes contextos.

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